
A instalação propõe a criação de um ambiente imersivo composto por esculturas táteis, documentos e som, onde próteses aleijadas, moldadas em barro e entrelaçadas a galhos secos, emergem como gesto de reivindicação à fabulação e à criação de mundos. Partindo de uma pesquisa sobre o corpo com deficiência e suas potências estéticas, o artista convoca o público a uma experiência sensorial que desloca o olhar e convida ao toque — instaurando outras possibilidades de relação com a arte e com o corpo.
A manualidade, antes negada ao artista aleijado da mão direita, é retomada como força vital para a criação de novas próteses, corpos e mundos, sem compromisso com ideais de correção ou funcionalidade. Nesse gesto, o barro se afirma como matéria ancestral e orgânica que desafia os regimes de corponormatividade e convoca novas temporalidades, existências e modos de se relacionar, com si, com o outro e com o mundo.