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Aleijar o corpo, vislumbrar um mundo

Instalação, 2025
cerâmica, galhos, adubo fértil, laudo médico e som

A instalação propõe um ambiente imersivo no qual próteses moldadas em barro e entrelaçadas a galhos secos emergem como um gesto de reivindicação à fabulação. A manualidade — antes negada ao artista com deficiência na mão direita — é retomada aqui como força vital de criação. Ao esculpir seus próprios mundos e extensões corporais, o artista abdica de qualquer compromisso com ideais de correção ou funcionalidade. Nesse deslocamento, o barro torna-se a matéria-prima que desafia os regimes de corponormatividade, convocando novas temporalidades, corporeidades e modos de vida.
A fuga da forma afirma a potência de uma existência que recusa a funcionalidade e a representação na medida em que insiste na invenção de outros modos de existir. Ao modelar próteses que não corrigem, mas deformam, a obra reivindica uma estética aleijada como princípio ético e vital.
O barro e os galhos secos, matérias orgânicas e ancestrais, apontam para o que o artista nomeia como uma “natureza torta” — um horizonte em que a deficiência não é lida como erro, mas como a própria continuidade da vida em sua multiplicidade infinita.

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